segunda-feira, 21 de agosto de 2017

E como dissuadir um desejo?


A sensualidade nos acomete em cenários instantâneos os quais dão ar a fantasia e essa como combustível acaba por fomentar desejos que não nos são necessários.
O investimento afetivo, direcionado em tamanha ocasião relativa aos sentidos imediatos, pode ser desde a temperatura do momento, o toque do vento em nossa pele, a cena enquadrada em nosso olhar, o odor inalado pelas nossas narinas, o som percebido por nossas orelhas, o sabor desfrutado por nossa língua, seja qual for a forma de sensação que pudermos obter irá nos conferir um direcionamento que por um instante parece ser o sobrenatural da nossa existência. E acaba por potencializar nosso pensar relativo as experiencias as quais já foram vividas, sentido relativo as experiencias com juízos de agradável ou desagradável, ora desencadeiam em cenas que gostariam que fossem, igualmente valoradas na condição afetiva.
Assim nos deixamos levar a impulsos, sejam objetos, lugares e pessoas que nos ludibriam da necessidade. Por fomentarem o desejo relativo ao corpo que habitamos. Corpo esse necessário de contato e acaba por nos interromper de questionar o porquê da atitude, em troca de um toque especial dos nossos sentidos a serem convertidos em pensamentos para o significado que propomos aquele momento. Pode ser a sensação imagética que acaba invariavelmente por atrapalhar a ordem pragmática das necessidades constantes relativas a sobrevivência.

Dissuadimos um desejo ao configurar um questionamento relativo aquilo que ansiamos, seja ele convincente com nossas necessidades, condizente com nossa humanidade e relativo ao bem social. Se aquilo que por instante nos acomete por um turbilhão de sentir, é imprescindível para a ética a qual adotamos como seres civilizados, se a atitude ordenada é básica com a vitalidade do ser e se é preciso continuar a adotar tais medidas.
Caso não nos questionemos perante aquilo que nos toca, não podemos discernir, compreender, assimilar e focar na melhor decisão possível dentro de nossas subjetividades para o convívio em harmonia com nosso próximo. Pois acabamos por nos desrespeitar a entrar no desfreio da ânsia do desejo que acaba por desarmonizar a nossa relação com o outro. Pois entramos em conflitos para fomentar a idiossincrasia relativa ao sentir a qual não selecionamos e direcionamos o pensar em atribuir uma característica do que é indispensável quanto espécie.
Eventualmente se não nos indagarmos para dissuadir aquilo que nos aparece de relance daquilo que é valoroso, acabamos invariavelmente recaindo no conflito de que o desejo é algo de bom a ser investido e nos afastamos da relação com o outro sujeito, pois esquecemos de que dentro da cadeia ecológica o mundo é perpetuado por vida.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Sensualidade



Percorremos a viagem nos atendo a paisagens que por vezes se tornam estatuas dentro de nossa afetividade. Transferimos uma energia naquele instante e por vezes nos cegamos no que tange o momento real.
A transferência emocional em algo idealizado acaba por barrar o fluxo imagético que propõe a homeostase corpórea. O que acaba seduzindo os afetos, toma no pensamento uma recorrência do conteúdo, formando uma prisão, que só acaba no consumo do desejo.
O prisioneiro do cenário muitas vezes posterior a consumação do ato se arrepende do tempo despendido naquele momento ilusório, que não é condizente com a realidade e se torna insatisfeito na busca de outro momento utópico para o preenchimento da sua necessidade de tornar-se saciado.
A complexidade de distinguir o aspecto enganoso que nos toma através do encanto alimentado por nossa própria subjetividade do que toca o real, o verdadeiro sentimento por de trás daquela imagem nutrida com sutilezas afetivas que nos acompanham, é quase tido como uma necessidade real de uma propagação de vida. Sendo essa criação muitas vezes apenas um erro decorrente da inabilidade de viver o presente.
O pensamento sedutor é a porta para a ruminação e a aspiração, o sujeito cria hipóteses necessárias para realização do ato que podem barrar a necessidade momentânea. O cenário imaginário do que seduz, reconforta com a promessa de solução para um conflito real.
A barragem impede o fluxo do rio, assim como o quadro hipotético de prazer impede o fluxo da realidade e da necessidade. A sedução criada pelo próprio sujeito atribuindo qualidades frívolas como propostas de se defender e propagar sua vitalidade social o esquivam do que é genuinamente necessário para se propagar como ser.
O que seduz antes de ser tangível ao sentido é alimentado no pensar, que depois no que é concreto se manifesta através de atribuições sensoriais. O cogitar é o início de toda a decorrência da interpretação do panorama criado, substancialmente a nutrição é derivada do desejo da possibilidade de triunfar como espécie. O que indubitavelmente aliena a capacidade de solidariedade.
A sensualidade é a dança do desejo, o que torna o desnecessário em necessidade. A sensualidade só existe no que anseia a perpetuação como espécie a distinção do outro e a escalada na pirâmide social. A abstração criada do fascínio é o que faz o sujeito acreditar veemente que algo que não vale nada tem um valor absurdo.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Discernimento?



O que os maniqueístas queriam dizer em suas afirmações de dualidade, com caráter de claro ou escuro, um contraste real ou uma parcela perecível de nossas subjetividades? Escolhas nos permeiam por todo instante. Como transferimos nossa energia necessária a despender a qualidade que requer o escolher?
Estimular o ato de escolher é como predizer o futuro e estar ciente da tomada consciente da decisão correta. O pensar correto é distinguir uma ação impulsiva movida pelo desejo hedonista singular em prol da força solidaria? Existe um fluxo capaz de manter esse equilíbrio em zelo ou podemos ser tomados por esse movimento do prazer?
A capacidade gerida através do treinamento da maturidade perfaz ao homem motivos necessários para que ele pense adiante, ou deixa que iludido percorra atrás da satisfação momentânea? É notório que o homem que lapida suas virtudes consegue distinguir esse fluxo imperativo e transfere essa energia em um bem produtivo não só para si, mas para seu semelhante. 
Essa batalha travada dentro do que é invisível aos olhos dos outros é o real motivo que leva o homem a continuar na jornada em prol da humanidade, caso contrário dissuadido pelos impulsos primevos retraísse na corrida pela imortalidade em busca daquela primeira satisfação de nutrição jamais esquecida em sua memória indefesa.
Seria um potencial de atribuir estados temporais e condições daquilo que anteriormente dividiam em uma dualidade? Discernir é consequência de atribuir juízos futuros interdependentes baseados em parcimônia e empatia? Pois almejar muito em consequência atravessa o círculo que entrelaça um ser ao outro.
A relação lógica do que leva um sujeito a atribuir questões futuras a ele, acabam porventura a tornar-se o pensar correto e quem sabe assim ao presente de certo, talvez assim gere um lapso de lucidez do que é real dentro das condições humanas.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Conter em si


O que seria a compreensão? Um ato tão além das nossas impulsivas decisões de juízos os quais atribuímos cegamente uma relação emocional sobre aquilo que enxergamos. Seria então ela a ferramenta básica do discernir onde poderíamos nos ater a paisagem de uma forma a observar além da visão periférica que se apresenta uma amostra profunda e integral?
Penso que o primeiro passo é complexo e requer muita disciplina, ele é o instante presente, o fluir da água, a força motriz para o aprimoramento do que é genuíno do homem. Tarefa essa necessária para distinguir o que é real do que é ilusório, o desejo da necessidade.
Assim todo o contínuo da sequência de atitudes serão reverberadas intuitivamente pensando na amenização do efeito da ação tomada posterior a compreensão atingida.
Compreender então é estar imerso além do tempo e espaço da situação, é o ser da existência do momento sem entes imaginativos do que aquilo é.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Desvendando a fantasia



O desejo é algo que pulsa e domina a mente de uma forma que encarcera o corpo. E o homem na necessidade de anestesiar o desejo latente consome o que for mais propicio para afetar a realidade entediante, que futuramente o aprisionará numa relação de insatisfação, pois jamais o ideal será atingido conforme a representação.
O homem que compreende seus desejos e controla seus impulsos caminha em rumo a sua liberdade, pois para atingir equilíbrio se basta o necessário.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Para onde vai essa condução?



O passeio pelos sonhos egoístas nos revelam a propagação do erro, já orientado pelos teopoetas de ontem. Estamos presos a imagens oníricas de personagens, que já perderam seus lares no desassossego do preenchimento deste vazio criado por tais fantasias.
Desde a revolução agrícola somos reféns da colheita, do esperar o amanhã, de pensar que talvez nossa produção seja protegida, que controlaremos nossas propriedades da invasão de outro clã que possa se apossar de nossas estruturas.
Mas a natureza não nos impõe nada, somos nós que colocamos códigos de barras em seus frutos, chamamos de nossos e criamos produtos que se fazem necessidades com o passar dos anos de sofisticação da nossa alienação.
Não questionamos a respeito de nossos novos órgãos tecnológicos, os aparatos que cabem em nossos bolsos, ou malas, extensões de nossos anseios e conexões com o virtual. Perdidos nessa luta na busca de satisfazer nossos impulsos primitivos de estarmos saciados, acabamos por nos limitar como sujeitos em simulação.
Criamos necessidades patológicas, damos caráter de entidade a transtornos mentais que qualificam o sujeito como sindrômico e não mais indivíduo. Dominamos massas e grupos em proporções de bilhão, onde tais sujeitos são responsáveis por manter um fomento econômico em tal gueto hegemônico, capaz de manter uma normalidade e passividade dentro dos mecanismos de controle, aqueles mesmos que eram condenados como vícios pelo homem austero, disciplinado e virtuoso.
Acabamos por continuar incentivando as diferenças, criamos leis que defendem o direito e não a justiça, fazemos a dicotomia entre melhor adaptado e pior adaptado, damos instrumentos de competição para acirrarmos as diferenças, encorajando a normalidade de tais comportamentos.
Não eximo a responsabilidade do sujeito adquirir sua maioridade, muito menos sua maturidade, mas os preceitos éticos de que faça o que qualquer um, em qualquer lugar e em qualquer tempo faria sem prejudicar ao outro, acaba por ser esquecida. Ou então considerada muito antiquada para modernidade. Mas acredito que as relações humanas são a chave para o desenvolvimento individual.
Precisamos ser peripatéticos, buscar amadurecer nossa humanidade, buscar nos libertarmos como homens, dessa escravidão que somos aprisionados. Encontrar forças para compreender, que somos ideologicamente vendados para que assim continuemos a influenciar que a dominação ocorra. Precisamos parar de nos dividir em guetos, precisamos nos comportar como espécie e não como raça. Que não façamos reféns nossos semelhantes, e que busquemos utilizar esse nosso tal conhecimento científico em prol da humanidade. Não como apenas mais um modo de explorar, as nossas, debilidades humanas.

domingo, 28 de maio de 2017

E, existe o progresso?


Sofisticação palavra de origem latina oriunda do velho saber grego, que por ser suposto de retoricas construídas ao infinito, para o triunfo da batalha verbal, se fez assumir um caráter de desprezo. É nela que hoje nos baseamos, nossa ideologia clerical mudou, a ciência nos assume num niilismo categórico, rumo ao prazer comunitário, no futuro próximo e cada vez mais distante, mediante essa assunção da técnica e criação do desejo, que reconforta o sujeito cada vez mais em sua idiossincrasia.
A forma singular, do sujeito que vive em sociedade, não representa mais o coletivo, onde seus desejos, que distinguem de necessidades, por serem criados com base no fomento do sistema econômico em regência, coloca de forma clara que o que para ele de fato interessa, é aquilo que o reconfortaria dentro de sua vivência em extinção. Seria então a propagação dos momentos satisfatórios que colocariam a técnica em nosso bel prazer, suprimindo-nos daquilo que nos desconforta, daquilo que é natural?
É evidente a reprodução da vida solitária confortável, na evitação do confronto das naturalidades do mundo que se apresenta, pois mediante a sofisticação podemos cada vez ir mais distante, rumo ao infinito, porém de uma forma onde somente, como numa competição do mais sedutor discurso retórico, o resultado será um vencedor.
O paralelo traçado pelo sonho dos preguiçosos nos leva a viagens cada vez mais distantes e possíveis. Que implicam claramente num pensar atrelado a necessidade de tais percursos. Seriam de cunho social, ou apenas para não deixar que a brasa do prazer apague. O enfrentamento da realidade, com os recursos que nos perfazem impedem que os homens aproveitem a forma mais fantástica de experiência. A vivência coletiva com todas suas adversidades. Viver pela polis do presente, com aquilo que se apresenta.
Pensar em atrelar a palavra progresso em vontades hedonistas, que nos aproximam cada vez mais de sonhos megalomaníacos, não faz jus aos significados que atrelaram a palavra humanidade. Talvez exista progresso sim, em todas as técnicas que o homem tem, pois ele é um hábil produtor de ferramentas, produtor de instrumentos, produtor de abstrações em materialidade, um grande observador e experimentador, realmente é um animal técnico. Mas quando pensamos em humanidade, talvez nesse critério o mais próximo de que alguns homens vão chegar de si mesmo é através do reflexo do espelho.