quarta-feira, 21 de junho de 2017

Desvendando a fantasia



O desejo é algo que pulsa e domina a mente de uma forma que encarcera o corpo. E o homem na necessidade de anestesiar o desejo latente consome o que for mais propicio para afetar a realidade entediante, que futuramente o aprisionará numa relação de insatisfação, pois jamais o ideal será atingido conforme a representação.
O homem que compreende seus desejos e controla seus impulsos caminha em rumo a sua liberdade, pois para atingir equilíbrio se basta o necessário.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Para onde vai essa condução?



O passeio pelos sonhos egoístas nos revelam a propagação do erro, já orientado pelos teopoetas de ontem. Estamos presos a imagens oníricas de personagens, que já perderam seus lares no desassossego do preenchimento deste vazio criado por tais fantasias.
Desde a revolução agrícola somos reféns da colheita, do esperar o amanhã, de pensar que talvez nossa produção seja protegida, que controlaremos nossas propriedades da invasão de outro clã que possa se apossar de nossas estruturas.
Mas a natureza não nos impõe nada, somos nós que colocamos códigos de barras em seus frutos, chamamos de nossos e criamos produtos que se fazem necessidades com o passar dos anos de sofisticação da nossa alienação.
Não questionamos a respeito de nossos novos órgãos tecnológicos, os aparatos que cabem em nossos bolsos, ou malas, extensões de nossos anseios e conexões com o virtual. Perdidos nessa luta na busca de satisfazer nossos impulsos primitivos de estarmos saciados, acabamos por nos limitar como sujeitos em simulação.
Criamos necessidades patológicas, damos caráter de entidade a transtornos mentais que qualificam o sujeito como sindrômico e não mais indivíduo. Dominamos massas e grupos em proporções de bilhão, onde tais sujeitos são responsáveis por manter um fomento econômico em tal gueto hegemônico, capaz de manter uma normalidade e passividade dentro dos mecanismos de controle, aqueles mesmos que eram condenados como vícios pelo homem austero, disciplinado e virtuoso.
Acabamos por continuar incentivando as diferenças, criamos leis que defendem o direito e não a justiça, fazemos a dicotomia entre melhor adaptado e pior adaptado, damos instrumentos de competição para acirrarmos as diferenças, encorajando a normalidade de tais comportamentos.
Não eximo a responsabilidade do sujeito adquirir sua maioridade, muito menos sua maturidade, mas os preceitos éticos de que faça o que qualquer um, em qualquer lugar e em qualquer tempo faria sem prejudicar ao outro, acaba por ser esquecida. Ou então considerada muito antiquada para modernidade. Mas acredito que as relações humanas são a chave para o desenvolvimento individual.
Precisamos ser peripatéticos, buscar amadurecer nossa humanidade, buscar nos libertarmos como homens, dessa escravidão que somos aprisionados. Encontrar forças para compreender, que somos ideologicamente vendados para que assim continuemos a influenciar que a dominação ocorra. Precisamos parar de nos dividir em guetos, precisamos nos comportar como espécie e não como raça. Que não façamos reféns nossos semelhantes, e que busquemos utilizar esse nosso tal conhecimento científico em prol da humanidade. Não como apenas mais um modo de explorar, as nossas, debilidades humanas.

domingo, 28 de maio de 2017

E, existe o progresso?


Sofisticação palavra de origem latina oriunda do velho saber grego, que por ser suposto de retoricas construídas ao infinito, para o triunfo da batalha verbal, se fez assumir um caráter de desprezo. É nela que hoje nos baseamos, nossa ideologia clerical mudou, a ciência nos assume num niilismo categórico, rumo ao prazer comunitário, no futuro próximo e cada vez mais distante, mediante essa assunção da técnica e criação do desejo, que reconforta o sujeito cada vez mais em sua idiossincrasia.
A forma singular, do sujeito que vive em sociedade, não representa mais o coletivo, onde seus desejos, que distinguem de necessidades, por serem criados com base no fomento do sistema econômico em regência, coloca de forma clara que o que para ele de fato interessa, é aquilo que o reconfortaria dentro de sua vivência em extinção. Seria então a propagação dos momentos satisfatórios que colocariam a técnica em nosso bel prazer, suprimindo-nos daquilo que nos desconforta, daquilo que é natural?
É evidente a reprodução da vida solitária confortável, na evitação do confronto das naturalidades do mundo que se apresenta, pois mediante a sofisticação podemos cada vez ir mais distante, rumo ao infinito, porém de uma forma onde somente, como numa competição do mais sedutor discurso retórico, o resultado será um vencedor.
O paralelo traçado pelo sonho dos preguiçosos nos leva a viagens cada vez mais distantes e possíveis. Que implicam claramente num pensar atrelado a necessidade de tais percursos. Seriam de cunho social, ou apenas para não deixar que a brasa do prazer apague. O enfrentamento da realidade, com os recursos que nos perfazem impedem que os homens aproveitem a forma mais fantástica de experiência. A vivência coletiva com todas suas adversidades. Viver pela polis do presente, com aquilo que se apresenta.
Pensar em atrelar a palavra progresso em vontades hedonistas, que nos aproximam cada vez mais de sonhos megalomaníacos, não faz jus aos significados que atrelaram a palavra humanidade. Talvez exista progresso sim, em todas as técnicas que o homem tem, pois ele é um hábil produtor de ferramentas, produtor de instrumentos, produtor de abstrações em materialidade, um grande observador e experimentador, realmente é um animal técnico. Mas quando pensamos em humanidade, talvez nesse critério o mais próximo de que alguns homens vão chegar de si mesmo é através do reflexo do espelho.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Maturidade


A leveza do tempo é um abraço acolhedor nas andanças continuas do trilhar deste caminho diário de descobertas. Sem notar, a cadência das estações dá um brilho ao ano e as emoções naturais que nós seres humanos, a tanto tentamos entender. Toda a sazonalidade é preparada para que desde a geada até a desabrochada a vida continue em seu esplendor.
É uma sequência lógica no cotidiano, os encontros que são promovidos com o passar dos dias, perfazendo então uma linha atemporal da existência, que ressignifica a cada experiencia e promove uma aproximação das nossas duvidas infantis com o sossego da velhice, daquele sorriso que já viveu a tempestade e sabe que é nela que se faz um bom marinheiro.
A maturidade é um estado de espirito, são os encontros que na sutileza do despertar, onde podemos fazer e perdoar aqueles percursos imaturos nessa jornada confusa que chamamos de vida. É necessário presenciar a deficiência, que nos impossibilita de seguir a diante e refletir a respeito do que é preciso para que se prossiga, mesmo desmunido das ferramentas essenciais para as adversidades do desconhecido.
Reconhecer as debilidades e aceitar o processo de aprimoramento da técnica para Ascenção da jornada é algo que nos torna maduros, porém é um processo de continuidade, que nos remete a cada nova descoberta uma análise da capacidade momentânea de experienciar a possibilidade de frustração do percurso.
As variáveis do caminho não nos pertencem, para que assim possamos a cada nova tentativa obter um aprendizado, daquilo que a vida nos coloca incisivamente na balança de juízos, com o quantum do saber de que nessa atribuição somos possíveis de continuar a desflorar a mata densa. Caso nos percamos, existe a possibilidade de tentar novamente, com a aquisição de mais um dia dentro desse vasto repertorio de atribuições que a vida nos presenteia.
Por continuidade tornar-se maduro é fazer as pazes com o tempo, não o tempo que anseia algo que muito se deseja, nem a ruminação daquilo que se passou, é a continuidade do viver nesse tempo que até o nome nos presenteou. É estar insistentemente desperto para aquilo que vivencia, para assim em sua bagagem poder contemplar de uma forma simples, os elementos necessários para que não venha novamente depender de auxílio para uma situação evidente que antes por pouco se arruinou.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Escrevendo


Presente, momento que passa despercebido pelo fluxo constituído pela sofisticação. Acaba-se por subtrair do homem a qualidade de se integrar com a realidade que se apresenta, estando unificado com aquilo que se executa, de uma forma a não indagar a questão interligada com a atitude desempenhada, naquele instante.
O que impede o homem de se conectar com sua própria consciência? Seriam as conexões laterais a ele, que o impossibilitam de perceber, que o que faz não necessita de outra dimensão. Não é atrelado a qualidade temporal cronológica, que ele com medo atribui a sua existência. Talvez se não contextualizasse características de razão a atividades exteriores, com cunho de passado ou futuro, ou assimilações que desvirtuam com que atinja o que esta para agir, assim o fizesse não se estabelecer como sujeito alheio a si mesmo.
Incorporar o presente talvez seja a atividade mais complexa que um ser humano pode realizar, pois seria sua natureza definida por aquele instante que o que faz é a comunhão da organização de si, transformando assim o sujeito no ato e o ato na essência de sua qualidade.
Existe uma relatividade a pensar que o ato é em si algo, pois ao não questionar agiria em tranquilidade com aquilo que se apresenta, sem indagar que talvez algo fosse exterior de uma qualidade negativa ou positiva. Pois, talvez atribuir valores seja uma aspiração de desejo, dum futuro que impede que o presente exista e que realize a atividade para culminar na saúde daquele que vive.
A saúde seria a vontade de coexistir com o outro independente de quem é o outro, pois presente com o alheio a si, possibilitaria aquele que existe assumir sua semelhança, através de enxergar a necessidade do conforto que se proporciona a convivência coletiva. Convivência barrada pela doença, que é o desejo do futuro e do passado, que aprisiona a vontade do presente.
A sofisticação afasta a vontade no ímpeto de promover a ilusão, de algo que se aprimorará com a presciência de que será o suficiente para todos, na doce promoção daqueles que já doentes não conseguem mais se conectar com o presente e que perderam o momento oportuno, vivendo solitários pelo futuro comunitário.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

E se parássemos para contemplar?





Somos sujeitos tolhidos na essência, resumos de comportamentos de grupo, em busca de uma orientação espaço temporal de nossa vivência, onde as causas de nossa cegueira são os sentidos que damos para todos os fenômenos.
Seria estranho nos questionarmos a respeito da humanidade, pois buscamos respostas que vão além da nossa forma, eficaz, de produzir artefatos, através da abstração.
Talvez sejamos sujeitos autônomos, numa essencial luta para aperfeiçoar nossas capacidades de sobrevivência e reprodução, na esperança de compreender similaridades lógicas em nossas atividades triviais.
Pensar, talvez seja o fluxo imperativo da fantasia, oriunda da busca para agraciarmos nossas experiencias satisfatórias, que compensamos com sofisticação.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A Tríade do Homem


Engraçado refletir sobre a tríade judaica do homem em pleno século XXI. Interessante comparar com os adventos da técnica. Tecnologia esta, desenvolvida por um ser complexo em reproduzir conteúdos observados. Ser este, curioso por não poder ter uma visão integral sua, perfazer resultados em relação ao outro, encontrar-se no reflexo, reflexo este de um material que o proporcione uma característica sua fragmentada e virtual, como uma foto, um vídeo, ou do mais arcaico o reflexo na água.
Podemos comparar a tríade do homem, corpo, alma e espirito com o hardware o software e a internet. O corpo é o que compõe o homem, seus órgãos, sendo através deles a conexão com o mundo exterior, assim como o hardware é composto de peças que fazem com que a máquina opere. Já a alma é onde o indivíduo indaga sua essência, sua personalidade, seus comportamentos, seus gostos, aquilo que o faz único, mas também o permite ser humano, propriedade que o concede relacionar-se com o corpo e interagir com a natureza. Alma que em procedimento operacional seria o software, baseado em uma linguagem, a qual permite a máquina obrar sistemas operacionais, ela é responsável por executar os programas que interagem com o hardware. Já o espirito é forma do ser se conectar com o universo, com o todo, com o criador, com o cosmos, propriedade intrínseca da internet, dimensão da qual a máquina busca dados, também programas para agregar e executar, camada existente proveniente de um banco de dados em expansão, quase que ilimitado de conhecimento.
O paralelo é de cunho espiritual, oriundo da rede de conexões universais derivadas da vivência, para nos atermos a crítica. O que nos propulsiona? Quais programas iremos fazer download da rede de dados, para realização em nosso software? Como iremos fazer com que o hardware se comporte nas devidas pressões atmosféricas? Quais cuidados teremos com a máquina em operação?
Tudo é parte de um grande todo.