quinta-feira, 19 de abril de 2018

Além


A busca pela metafísica é colocar em ato aquilo que não era percebido pelo que temos de linguagem. Essa máxima que impulsiona em direção ao dia seguinte, pode ser acompanhada por momentos introjetivos de elementos pré-existentes para num esforço fazer a passagem.  Existem momentos também que esta ação se dará em um movimento de projeção de conteúdos nossos em figuras que se apresentam na vida.
A balança do equilíbrio entre esses dois opostos é o que nos acomoda em determinadas situações, fazendo com que adeque o desconhecido e acomode o habitual.
A inconstância do novo, muitas vezes impede com que aquilo que está para além das nossas percepções permita o movimento de amadurecimento. Que por vezes é o que nos aprisiona em fotografias mentais com caráter de rigidez.
O medo de se impulsionar em sentido ao outro dia pode tornar o inédito em rotina e a novidade em preconceito, impossibilitando a constituição de mais uma percepção da vida que nos cerca.
Estar presente é algo que suspende estas dicotomias de juízo, colocando a máxima do não saber como pressuposto de trazer a tona aquilo que já estava a priori. Fazendo o desconhecido se revelar.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Panorama


O descobrir aquilo que não se é conhecido, pode ser sentido como a coisa mais assustadora que podemos presenciar. Enquanto alguns correm em direção a novidade exterior, o mergulho introspectivo nos assombra como o escuro, que na mais singela infância nos acomete a perturbar.
A perturbação parte de um movimento confuso entre permanecer no cotidiano, ou transpassar para um rito eminente em direção a uma ampliação da nossa singela visão fragmentada que temos da natureza.
Tal rito gera uma energia e uma direção, que igualmente em sentido contrário, alimenta nossa capacidade de percepção daquilo que nos foi apropriado. Podemos assim usufruir de uma forma coesa com o amadurecimento, mas também transgredir com a nova assimilação do que ampliamos em nossa narrativa.
A narrativa por vezes nos engana e concluímos que aquilo que sabemos é o mundo que existe e não o recorte o qual conseguimos perceber com nossas limitações. Mas o mergulho interior, faz com que busquemos valores análogos que em nossa existência encontremos a essência de nossas semelhanças, com todas as formas vitais que se encontram nesse planeta.
Sermos vivos nos acomete uma função dentro desse ecossistema. Pressupondo que temos características nutritivas e predatórias, onde devemos equilibrar nossa energia em um caráter de reciprocidade quanto ser.

Não se é independente, deve-se admitir a dependência que temos de outras narrativas em fragmentos para somarmos em nossa percepção daquilo que mais se aproxima do que é.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Potência


Propulsão que me direciona em sentido a algo. Movimento inerente sem uma direção ambivalente, construída em um afeto. Seria ela aquilo que me condiciona a agir sempre para a vida. Caminho exclusivo de direcionamento de uma razão amorosa. O conhecimento obtido através dela não promove mais o erro apaixonado de cegamente se entregar ao corriqueiro de não tentar conhecer.
Movimento que promove uma constante caminhada em direção aquilo que é mais valoroso, a preservação da vida. Mas não a vida singela individual e sim a vida coletiva que engloba cada detalhe no decorrer do que tange o conhecido. Não é doravante somente um contato político é algo ético e escrito diante daquilo que não foi dito, mas precisa expressar.
Vai além de um preceito humano, é algo divino. Preceito sobre-humano talvez, não ampare aquilo que é ser potente. Criar é somente uma de suas atribuições, a mais doravante talvez seja manter. Porque não faz sentido por um lapso de tempo agir, mas sim lutar invariavelmente como aquele que lentes fazia para os outros enxergar.
Ser potente vai além do desconhecido é o questionar invariavelmente, como num fluxograma infinito buscar a resolução para um conflito que na vida estamos a nos
atrapalhar. É algo complexo e bonito a busca de um rito que não devemos abandonar.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Controle


Aquilo que se apresenta para minha forma de significar o que conheço, acaba por permitir com que eu aumente consideravelmente as possibilidades de conjecturar um maior número de variáveis dentro do meu escopo de eventualidades.
Contribuindo de uma maneira com que eu imagine que minha potencia promove uma forma de controlar as situações as quais estou inserido, onde na verdade em detrimento das minhas experiencias que se acumulam num parecer de sentimentos, apenas me tornam capaz de me orientar dentro do que me é conhecido. Possibilitando com que eu transforme e gere algo além daquilo que me era comum. 
A aquisição do conhecer os pormenores toques da natureza, com um balizamento em afeto e memórias de minha trajetória dentro do contexto familiar, promovem um continuo aperfeiçoar que me coloca em possibilidade de manter a vida.
Quero dizer com isso que aquilo que me impulsiona a viver, este algo intrínseco da natureza, relativo da causa e que necessariamente gera um efeito, faz com que paralelamente eu imagine que no controle estou. Quando de fato as formas as quais aquilo que estou inserido me afetam pelo meu corpo, que é a essência a qual estou preso e transito, recebendo todas as formas de contato deste universo que me unifica no contexto.
Tal contexto é a soma das variáveis dos toques, todas as minucias daquilo que existe. Serão as formas pelas quais aquilo que não me é conhecido tenham efeito sobre minha existência e coloquem uma causa que venha propulsionar o aumento de minha sobrevivência, ou seu declive.
Assumo que não existe um controle dos eventos, pois tudo esta conectado. Porém com o prolongar da existência as formas de descoberta daquilo que me afeta promove uma propulsão em direção a expansão de mim. A realidade seria o contato daquilo que desconheço e significo de uma forma a entender que a minha vida será prolongada ou reduzida.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

E como dissuadir um desejo?


A sensualidade nos acomete em cenários instantâneos os quais dão ar a fantasia e essa como combustível acaba por fomentar desejos que não nos são necessários.
O investimento afetivo, direcionado em tamanha ocasião relativa aos sentidos imediatos, pode ser desde a temperatura do momento, o toque do vento em nossa pele, a cena enquadrada em nosso olhar, o odor inalado pelas nossas narinas, o som percebido por nossas orelhas, o sabor desfrutado por nossa língua, seja qual for a forma de sensação que pudermos obter irá nos conferir um direcionamento que por um instante parece ser o sobrenatural da nossa existência. E acaba por potencializar nosso pensar relativo as experiencias as quais já foram vividas, sentido relativo as experiencias com juízos de agradável ou desagradável, ora desencadeiam em cenas que gostariam que fossem, igualmente valoradas na condição afetiva.
Assim nos deixamos levar a impulsos, sejam objetos, lugares e pessoas que nos ludibriam da necessidade. Por fomentarem o desejo relativo ao corpo que habitamos. Corpo esse necessário de contato e acaba por nos interromper de questionar o porquê da atitude, em troca de um toque especial dos nossos sentidos a serem convertidos em pensamentos para o significado que propomos aquele momento. Pode ser a sensação imagética que acaba invariavelmente por atrapalhar a ordem pragmática das necessidades constantes relativas a sobrevivência.


Dissuadimos um desejo ao configurar um questionamento relativo aquilo que ansiamos, seja ele convincente com nossas necessidades, condizente com nossa humanidade e relativo ao bem social. Se aquilo que por instante nos acomete por um turbilhão de sentir, é imprescindível para a ética a qual adotamos como seres civilizados, se a atitude ordenada é básica com a vitalidade do ser e se é preciso continuar a adotar tais medidas.

Caso não nos questionemos perante aquilo que nos toca, não podemos discernir, compreender, assimilar e focar na melhor decisão possível dentro de nossas subjetividades para o convívio em harmonia com nosso próximo. Pois acabamos por nos desrespeitar a entrar no desfreio da ânsia do desejo que acaba por desarmonizar a nossa relação com o outro. Pois entramos em conflitos para fomentar a idiossincrasia relativa ao sentir a qual não selecionamos e direcionamos o pensar em atribuir uma característica do que é indispensável quanto espécie.

Eventualmente se não nos indagarmos para dissuadir aquilo que nos aparece de relance daquilo que é valoroso, acabamos invariavelmente recaindo no conflito de que o desejo é algo de bom a ser investido e nos afastamos da relação com o outro sujeito, pois esquecemos de que dentro da cadeia ecológica o mundo é perpetuado por vida.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Sensualidade



Percorremos a viagem nos atendo a paisagens que por vezes se tornam estatuas dentro de nossa afetividade. Transferimos uma energia naquele instante e por vezes nos cegamos no que tange o momento real.
A transferência emocional em algo idealizado acaba por barrar o fluxo imagético que propõe a homeostase corpórea. O que acaba seduzindo os afetos, toma no pensamento uma recorrência do conteúdo, formando uma prisão, que só acaba no consumo do desejo.
O prisioneiro do cenário muitas vezes posterior a consumação do ato se arrepende do tempo despendido naquele momento ilusório, que não é condizente com a realidade e se torna insatisfeito na busca de outro momento utópico para o preenchimento da sua necessidade de tornar-se saciado.
A complexidade de distinguir o aspecto enganoso que nos toma através do encanto alimentado por nossa própria subjetividade do que toca o real, o verdadeiro sentimento por de trás daquela imagem nutrida com sutilezas afetivas que nos acompanham, é quase tido como uma necessidade real de uma propagação de vida. Sendo essa criação muitas vezes apenas um erro decorrente da inabilidade de viver o presente.
O pensamento sedutor é a porta para a ruminação e a aspiração, o sujeito cria hipóteses necessárias para realização do ato que podem barrar a necessidade momentânea. O cenário imaginário do que seduz, reconforta com a promessa de solução para um conflito real.
A barragem impede o fluxo do rio, assim como o quadro hipotético de prazer impede o fluxo da realidade e da necessidade. A sedução criada pelo próprio sujeito atribuindo qualidades frívolas como propostas de se defender e propagar sua vitalidade social o esquivam do que é genuinamente necessário para se propagar como ser.
O que seduz antes de ser tangível ao sentido é alimentado no pensar, que depois no que é concreto se manifesta através de atribuições sensoriais. O cogitar é o início de toda a decorrência da interpretação do panorama criado, substancialmente a nutrição é derivada do desejo da possibilidade de triunfar como espécie. O que indubitavelmente aliena a capacidade de solidariedade.
A sensualidade é a dança do desejo, o que torna o desnecessário em necessidade. A sensualidade só existe no que anseia a perpetuação como espécie para distinção do outro e a escalada na pirâmide social. A abstração criada do fascínio é o que faz o sujeito acreditar veemente que algo que não vale nada tem um valor absurdo.